Noé é um personagem central nas Escrituras Sagradas, aparecendo tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Ele ganha destaque principalmente pela sua participação na narrativa do Dilúvio, contada em detalhes nos capítulos 6 a 9 do livro de Gênesis.
A Bíblia apresenta Noé como um homem excepcional em meio a uma geração corrompida.
Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor. Estas são as gerações de Noé. Noé era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus. (Gênesis 6:8-9, ACF)
Esse homem justo e íntegro caminhava com Deus em um tempo de grande decadência moral. A humanidade havia se afastado completamente do Criador, mergulhando em corrupção e imoralidade.
Deus observou com tristeza o estado da criação que havia feito.
E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração. E disse o Senhor: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito. (Gênesis 6:5-7, ACF)
Apesar do julgamento anunciado, Deus não desejava extinguir toda a vida sem esperança de renovação. Ele escolheu Noé para uma missão extraordinária: construir uma arca gigantesca que preservaria a sua família e representantes de todas as espécies animais.
Noé obedeceu fielmente às instruções divinas. Construiu a arca com exatidão e reuniu os animais, levando pares (macho e fêmea) para garantir a continuidade das espécies após a catástrofe. Quando as águas do Dilúvio vieram, Noé, sua esposa, seus três filhos e as noras, juntamente com os animais, entraram na embarcação e foram protegidos durante o julgamento.
Choveu por quarenta dias e quarenta noites. Depois, as águas baixaram lentamente. A arca repousou sobre uma montanha, e Noé saiu para oferecer sacrifícios de gratidão a Deus.
Em resposta, o Senhor estabeleceu uma aliança eterna com Noé e toda a criação. Prometeu nunca mais destruir a terra com um dilúvio tão devastador. Como sinal visível dessa promessa, Deus colocou o arco-íris no céu.
Noé também é lembrado em outras partes da Bíblia. Aparece na genealogia de Jesus em Lucas 3:36, como antepassado do Messias. Seu exemplo de fé é destacado em Hebreus 11:7 e em 2 Pedro 2:5, onde ele é chamado de pregador da justiça.
Após o Dilúvio, Noé continuou sua vida na terra renovada. Tornou-se agricultor e plantou a primeira vinha conhecida na narrativa bíblica.
E começou Noé a ser lavrador da terra, e plantou uma vinha. (Gênesis 9:20, ACF)
Ele foi pai de três filhos que deram origem às grandes famílias da humanidade pós-dilúvio: Sem, Cam (escrito como Cão em algumas passagens antigas) e Jafé.
E era Noé da idade de quinhentos anos, e gerou Noé a Sem, Cão e Jafé. (Gênesis 5:32, ACF)
Deus abençoou Noé e seus filhos diretamente, renovando a ordem de multiplicação dada originalmente a Adão.
E abençoou Deus a Noé e a seus filhos, e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra. (Gênesis 9:1, ACF)
A história de Noé e do Dilúvio carrega lições profundas que continuam relevantes hoje. Ela destaca a importância de viver em justiça e integridade, caminhando com Deus mesmo quando o mundo ao redor se afasta.
Mostra a soberania divina: Deus julga o pecado, mas também preserva e restaura. A obediência de Noé salvou sua família, provando que seguir as instruções de Deus traz proteção e vida abundante.
O relato nos alerta sobre as consequências da corrupção e da imoralidade, convidando-nos à mudança e ao retorno ao Criador. Acima de tudo, oferece esperança: após o julgamento, há sempre possibilidade de novo começo, renovação e bênçãos para quem confia no plano divino.